Buzz Digital

O toque de ouro do Guy.

por Guy Kawasaki*

Se eu pudesse simplesmente ganhar dinheiro respondendo a questão: “Como consigo pessoas para evangelizar o meu produto?”. Eu simplesmente poderia parar de trabalhar e jogar hockey todos os dias. Mas como sei que não há maneira de ganhar dinheiro partilhando esta resposta, resolvi contar de graça.

A resposta curta se chama “O toque de ouro do Guy.” Você pode chegar a pensar que o significado é: “Qualquer coisa que o Guy toca vira ouro.” Como eu gostaria que isso fosse verdade. Mas o verdadeiro significado é: “Qualquer coisa que seja ouro, o Guy toca.” Memorize isso: a chave para evangelizar é ter um grande produto. É fácil, quase inevitável conseguir catalizar a evangelização para um grande produto. É difícil, ou diria quase impossível, catalizar a evangelização para um produto medíocre. (Antes de mais de nada, evangelismo vem do grego e quer dizer “trazer boas notícias” e não “notícias medíocres.”)
Este está entre os maiores absurdos que já ouvi: “Eu acho devemos criar um grande produto.” Dahhh!!!! Achei que tinha passado pela cabeça criar um produto medíocre. Mas o que importa de verdade é: “Quais são as características de um grande produto?”

Aqui vai a resposta.

Pense: PRECE

  • Profundo. Um grande produto é profundo. A sua funcionalidade e características não perdem o sentido após uma semana de uso. Os seus criadores anteciparam o que será necessário no dia em que você quiser ir mais longe com o produto. Na medida em que as suas necessidades ficam mais sofisticadas, você descobre que não precisa de um novo produto.
  • Recompensador. Um grande produto é uma luxuosidade. Ele faz com que você se sinta especial quando o compra. Não é o último grito da moda e nem a solução mais barata. Também não é necessariamente um estilo Ferrari que chama atenção pelo exagero, mas lá no fundo você sabe que se auto recompensou por comprar um grande produto.
  • Elegante. Um grande produto tem uma interface elegante. As coisas têm que funcionar da maneira que você imagina que elas deveriam. Você não tem que “brigar” com o produto para fazer ele funcionar, isso deve acontecer de maneira intuitiva. (Por todos os sucessos da Microsoft e difícil eleger algo que você possa chamar de “grande produto.”) Sugiro que se você quiser ver se produto de uma empresa é “grande” dê uma olhada nessa apresentação (em inglês).
  • Completo. Um grande produto é muito mais que algo físico. Os manuais contam. O serviço ao cliente conta. Suporte técnico conta. Consultores, fabricantes, desenvolvedores terceirizados e empresas que agregam valor ao produto final contam. Blogar sobre o assunto conta. Um grande produto oferece tudo o que possa orbitar à sua volta para tornar a experiência do consumidor completa, mesmo que necessite recorrer a outras marcas.
  • Emotivo.Um grande produto faz você se levantar da cadeira. É tão profundo, recompensador, completo e e elegante que te provoca para contar a outras pessoas. Você não é necessariamente um empregado ou associado da empresa que o produz. Você está apenas trazendo as boas notícias para ajudar os outros e não você mesmo.

Se você quer um exemplo de um produto PRECE, basta olhar para um iPod. Profundo: milhares de músicas, podcasts, vídeos, internet, widgets com serviços de outras empresas que agregam valor e que Apple nunca tinha pensado neles. Recompensador: sim, você pode compra um versão barata, mas a satisfação muito maior que o preço, ou não? Completo: integração total que permite a compra online, suporte Apple (mais do que uma bateria ou duas), e suporte online por sites independentes. Elegante: nas versões anteriores um botão redondo estava tudo resolvido, com a evolução do produto para ser utilizado como uma plataforma multimédia eles ganhou uma interface de toque. Emotivo: Como é que você ficou sabendo sobre ele, duvido que foi num anúncio de TV.

Por isso, se você quer verdadeiros evangelistas para o seu produto, tenha a certeza que ele é uma PRECE.

*Guy Kawasaki é diretor da Garage Technology Ventures, investidor de capital de risco em empresas de tecnologia e colunista da revista Entrepreneur. Antes disso ele trabalhou como diretor de evangelização dos computadores Apple e já escreveu nove livros de gestão e empreendedorismo, entre eles: A Arte de Começar, Teste de Realidade, Regras para Revolucionários e Como Enlouquecer a Concorrência.

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